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VITORIOSA, JORNADA DE LUTAS DE SÃO PAULO É RECEBIDA EM REUNIÃO NA PREFEITURA E NA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

SP

As ruas da maior cidade do Brasil na manhã da última terça-feira (26), foi colorida com as cores da juventude de São Paulo e tomada pelo som uníssono “sou estudante, quero estudar”’.  Palavras de ordem, intervenções artísticas e até “harlemshake” agitavam a manifestação preparada por 30 movimentos sociais ligados à juventude, educação, cultura, religião, trabalho, gênero, questão racial, meio-ambiente e direito à terra.

Partindo da Praça da Sé rumo a Praça da República, ao longo do trajeto diversas intervenções marcou os interesses e os motivos que levou às ruas 3 mil jovens do interior do estado, de Franca, São Carlos, Ribeirão Preto, Araras e Piracicaba, de diversas escolas e instituições da cidade, que pela primeira vez estão de forma unificada reivindicando avanços para a juventude brasileira.

Depois de realizar uma grande passeata pelas ruas do centro da capital paulista, uma comissão de representantes da Jornada Nacional de Lutas da Juventude Brasileira foi recebida pela vice-prefeita de São Paulo, Nádia Campeão e pelo secretário de governo municipal, Antonio Donato; outra comissão de estudantes foram recebidos pelo Secretário de Educação do Estado, Herman Jacobus Cornelis Voorwald.

PREFEITURA AFIRMA PARTICIPAÇÃO DA JUVENTUDE PAULISTA NO CONSELHO DA CIDADEDE E DIALOGA SOBRE PASSE LIVRE

Na reunião vice-prefeita, Nádia Campeão, disse que o governo municipal quer construir uma nova relação com os movimentos sociais e o exemplo disso é o Conselho da Cidade, lançado ontem mesmo, o que seria um “novo canal de diálogo entre a administração municipal e a sociedade”, de acordo com Nádia. O órgão consultivo é formado por representantes de várias entidades e movimentos sociais em que as entidades estudantis terão no Conselho. A sugestão da vice-prefeita é que os jovens ampliem sua participação também nos Conselhos Regionais da cidade, ou seja, que grêmios, DCEs, e movimentos de juventude se mobilizem e garantam a discussão das suas pautas de interesse nos espaços de deliberação que a cidade oferece.

Os jovens entregaram aos representantes da prefeitura uma carta com as reivindicações do movimento, entre elas, a proposta de destinação dos 100% dos royalties do petróleo para educação. “Temos muito acordo com essa bandeira, nosso governo tem compromisso com a educação e a juventude”, afirmou Donato. De acordo com o secretário, a prefeitura está sempre de portas abertas para receber as demandas dos movimentos sociais. “É necessário a pressão de vocês para nos ajudar a seguir o caminho certo”, ressaltou.

Sobre a reivindicação de passe livre para os estudantes prounistas, a vice-prefeita disse que haverão mudanças com o novo bilhete único e que a proposta pode ser discutida. O secretário Donato disse que uma futura reunião com o Secretário de Transportes do município pode ser agendada para debater o assunto. O presidente do Conselho de Juventude de São Paulo, Osvaldo Lemos, que estava presente no encontro foi otimista.“Acho que nós podemos diante dessas mudanças que estão para ser feitas no bilhete único avançar sim sobre o passe livre para prounistas”, afirmou  ele. Segundo Lemos ainda sobre a reunião “podemos até mesmo sonhar com uma política de assistência estudantil para prounistas em São Paulo”.

NA PRESSÃO, SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO RECEBE JUVENTUDE EM SP

A concentração do ato final da Jornada paulistana aconteceu em frente à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. A Praça da República, onde fica o prédio, foi preenchida por manifestações diversas: intervenções culturais-teatrais, palavras de ordem, hino nacional. Uma comissão formada por integrantes da UBES, UPES, UNE, UEE-SP e MST com pautas ligadas a falta de estrutura nas escolas e a violência; repressão por parte de diretores de instituições para à formação de grêmios; problemas na educação do campo com fechamento de escolas, acesso e permanência e a evasão nas Faculdades de Tecnologia do Estado, as Fatecs.

O principal ponto do encontro, no entanto, se deu em relação ao Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (Pimesp). Trata-se de um programa do governo federal desenvolvido pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp).

Para o secretário, o programa não tem metas totalmente definidas ainda. Porém, para Nicoly Mendes, presidenta da UPES, o programa é bem claro em sua proposta e chega a ser um atestado de que o ensino médio em São Paulo não tem preparado os seus estudantes para o ensino superior. “Caso contrário, para que um programa separatista como esse? Cotistas para um lado e não cotistas para outro. O objetivo das cotas é incluir, diminuir as diferenças e não ampliá-las cada vez mais”, pontuou.

Os movimentos de juventude ficaram de elaborar uma proposta contrária ao programa. O secretário disse concordar que o Pimesp pode ser melhor discutido e comprometeu-se a levar o documento ao Cruesp e apresentá-lo aos reitores.

A participação dos estudantes no Conselho Estadual de Educação foi outra ponto da pauta. As entidades estudantis querem mais participação popular no Conselho e por isso reivindicam uma cadeira no órgão. O secretário-adjunto João Palma, que é vice-presidente do Conselho, disse que essa ideia já vem sendo discutida e que tentará promover um encontro entre representantes estudantis e a presidente do órgão.

Os estudantes aprovaram a promessa da secretaria de Educação de enviar um comunicado a todas as escolas do Estado reafirmando a livre criação de grêmios estudantis, sem interferência das direções das instituições, e com base na Lei do Grêmio Livre.

Embora a reunião tenha sido, por um lado, positiva, muitas questões ficaram ainda sem respostas. No que diz respeito ao financiamento da educação pública, os representantes do governo do Estado não demonstraram nenhuma simpatia com a destinação dos 100% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-sal exclusivamente para o setor. E nem mostraram formas ou alternativas para aumentar as verbas.

#EXISTELUTAEMSP

Durante o ato, a hashtag  #ExisteLutaEmSP liderou o Trending Topics Brasil. A diversidade de pautas foi acentuada também pelos diversos movimentos sociais presentes, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), União Paulsita dos Estudantes Secundaristas (UPES), União Estadual dos Estudantes (UEE-SP), Levante Popular da Juventude, Movimento dos Sem-Terra (MST), Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Juventude da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil(CTB), entre outros.

Segundo Carlos Alves, da CTB, o ato foi positivo para todos os jovens, para ele, a manifestação foi uma demonstração de força das várias frentes de organização da juventude. “Importante e em um momento muito necessário, a jornada de São Paulo é a resposta ao governo estadual. A juventude trabalhadora vive um momento delicado, somos a parcela da população que mais sofre com o desemprego e as condições de trabalho precarizado. Nos somamos à luta do movimento estudantil contra o PIMESP, porque a juventude precisa de mais condições de permanecer na universidade, e não de um “escolão” fundamentado por uma visão elitizada e racista”, defendeu.

A jovem Maria Júlia Monteiro, da MMM, afirmou que a luta da juventude é também uma luta feminista, porque a juventude é uma só. “A luta é também das mulheres que querem 10% do PIB para a educação, que querem entrar nas universidades e terem melhores trabalhos. Estamos na rua para lutar por um projeto feminista e popular”, afirmou.

“A Jornada veio no momento certo para extrapolar as pautas específicas e adquirir ganhos concretos”, disse Juliane Furnos, do movimento Levante Popular da Juventude.

Marcada também pela diversidade cultural, do tambor ao rap, as intervenções artísticas deram destaque a pauta contra o extermínio da juventude negra e periférica. Após intervenção teatral que protestou contra o extermínio da juventude negra e a violência contra a mulher, caixões de cartolina foram espalhados pelas vias e velas foram acendidas. Após silencio reflexivo, os jovens manifestantes cantaram: “Ela é injusta, ela é racista, ela mata, ela é a polícia. É militar, é PM ou civil, recebe ordem do estado para matar com o fuzil”, que para os manifestantes, trata-se de uma paródia não contra os policiais, mas aos que usam violência nas ruas como política pública.

 Da UNE com Redação

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