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EDSON LUÍS, PRESENTE!

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Há 45 anos, no dia 28 de março de 1968, o paraense Edson Luís, com apenas 18 anos, alguns trocados no bolso e todos os sonhos na mochila, era assassinado pela ditadura no restaurante estudantil Calabouço, no Rio de Janeiro.

Na época, os estudantes estavam organizando uma passeata relâmpago para protestar contra o alto preço da comida servida no Calabouço. A Polícia Militar, que outras vezes já havia reprimido os estudantes no local, chegou ao restaurante com muita repressão. Na invasão, cinco jovens ficaram feridos e dois foram mortos pela polícia. Um foi Benedito Frazão Dutra, que morreu no hospital, o outro foi Edson, que levou um tiro covarde no peito à queima-roupa de uma arma calibre 45. O episódio marcou a resistência estudantil contra o regime militar.

UM COMPANHEIRO DE EDSON LUIS

Memórias de um estudante em tempos de luta

Hoje com 64 anos, João Neto é uma lenda viva entre os estudantes que enfrentaram a ditadura militar. Era ele quem comia no restaurante Calabouço com Edson Luís, pouco antes da morte do secundarista, vítima simbólica da repressão.

João ajudou a socorrer o amigo que, sem nenhuma defesa, foi assassinado pelos militares. E não só isso, João veio ao Rio de Janeiro cursar a universidade como bolsista no ano de 1968, é exemplo da realidade dos jovens nesse período, como conta:

“Nessa época a polícia começou a prender todo mundo e comprar os diretores das universidades. Eu trabalhava nos Correios e morava escondido, porque estudantes como eu eram identificados nas manifestações e perdiam seus cargos públicos e bolsas de estudo. Isso aconteceu comigo”

João Neto participou de inúmeras passeatas organizadas de forma estratégica para parar o trânsito e chamar a atenção das pessoas. Toda comunicação era feita à maneira dos estudantes, chamadas de ‘passeatas relâmpago’; as pessoas iam se aglomerando formando blocos. Ele afirma que os militares sabiam da força das mobilizações, o que agravava ainda mais a tentativa de impedir de várias formas:

“Nas ruas haviam policiais disfarçados que se infiltravam entre a gente e passavam informações que mudavam o rumo e fazia as pessoas se dispersarem. Até a morte do Edson, os militares passavam para população que nós, estudantes, éramos baderneiros, mas com a perda do Edson, o povo abriu os olhos e encorajou aqueles que estavam sufocando com a repressão”, conta o companheiro que de perto acompanhou a repercussão da morte do secundarista, relembrando que o acontecimento serviu para robustecer a Passeata dos 100 mil.

 “A situação ficou insuportável, os políticos foram mostrando à nação suas intenções e com a força do povo, os anos se passaram e conseguimos vencer“.

Edson

JORNADA NACIONAL DE LUTAS É “EDSON LUÍS, PRESENTE!”

Desde então, a UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), a UNE (União Nacional dos Estudantes) e ANPG (Associação Nacional dos Pós Graduandos) organizam a Jornada Nacional de Lutas que ocorre anualmente no mês de março, em homenagem ao estudante secundarista Edson Luis. Todos os anos os estudantes promovem uma série de intervenções em diversas regiões do país para apresentar suas reivindicações e, assim, dialogar com os setores da sociedade.

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