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UBES LANÇA CARTA CONTRA GOLPE NO PARAGUAI

EM DEFESA DA DEMOCRACIA NO PARAGUAI

O Diretoria Executiva da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) manifesta seu total repúdio e condenação ao afastamento do presidente constitucional do Paraguai, Fernando Lugo, que vem consolidando um novo ciclo político de valorização do povo paraguaio, responsável pelo aprofundamento da democracia nesse país e contribuinte na integração latino-americana, o legítimo mandatário daquele país.

A UBES -que em seus 64 anos de vida em defesa da democracia lutou contra o nazi-facismo, combateu com bravura uma ditadura militar no Brasil, colocou-se firme contra o neoliberalismo e outras tentativas de golpes de uma elite nacional– apoia a decisão da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e outros organismos internacionais que se manifestam e não concordam com a destituição, negando-se a reconhecer outro presidente que não seja esse, levado ao poder pelo povo.

A direita paraguaia, valendo-se de sua maioria parlamentar, promoveu uma deposição sumária, na qual concedeu ao presidente não mais que duas horas para se defender de um processo de impeachment. Os setores conservadores paraguaios empreenderam, assim, um verdadeiro golpe de estado, destituindo um presidente eleito soberana e democraticamente pelo povo paraguaio.

O pretexto imediato utilizado para o golpe foi o confronto entre policiais e camponeses, durante ação de reintegração de posse de um latifúndio ocupado por sem-terra. Fala-se em mais de cem feridos, onze camponeses e seis policiais mortos.

A direita acusou o governo Lugo de ser responsável por incitar a violência, desencadeada pela polícia em cumprimento de ordem judicial, mas os indícios todos apontam noutro sentido: o de que este confronto militar foi provocado por agentes estranhos aos camponeses, que vivem num país em que 80% da terra é controlada por 3% da população.

Ademais, qual a situação econômica e social do Paraguai? O país hoje cresce mais do que antes, a população vive melhor do que antes. E a nação guarani tem, sob Lugo, uma respeitabilidade que lhe faltava na época da ditadura Stroessner e de 60 anos de governo colorado. Por isto, o motivo real do impeachment é outro: impedir uma vitória da esquerda paraguaia, agrupada na Frente Guasu, nas próximas eleições presidenciais marcadas para abril de 2013.

É por isto que a direita paraguaia recusou os apelos de adiamento da decisão e ampliação do prazo de defesa feito pelos governos da Unasul por intermédio de seus ministros de relações exteriores. É por isto, também, que a Corte Suprema do Paraguai, controlada pelas mesmas oligarquias que dominam o parlamento, calou-se e na prática dirigiu o golpe.

O que ocorreu no Paraguai é de imensa gravidade. Trata-se de um atentado contra a democracia, somando-se a Honduras no perigoso precedente segundo o qual instrumentos jurídicos e expedientes parlamentares são manipulados para espoliar a vontade popular.

“No momento em que a reorganização dos movimentos populares tem apresentado grande força, a extrema direita se organiza para dar o golpe. Nós, dos setores populares e da luta pela democracia, que elegeu o presidente pelo povo, nós não vamos deixar que este golpe passe despercebido na America Latina”, afirma o diretor de Relações Internacionais, Carlos Henrique sobre carta aprovada pela diretoria Executiva da UBES.

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