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Londres: Revolta é um grito de desespero dos jovens marginalizados

Elijah Kerr, que liderou uma das mais temidas gangues de rua de Londres, diz que os tumultos na capital e em outras cidades inglesas esta semana são resultado inevitável da frustração sentida pela juventude britânica e não uma invenção de gangues de rua.

Publicado pelo portal Vermelho

Kerr, que transformou a famosa gangue de rua criada por ele numa organização de entretenimento destinada a ajudar jovens, zombou da sugestão do primeiro-ministro britânico, David Cameron, de que os tumultos foram coordenados por líderes de gangues.
“O que aconteceu é a frustração, a tensão, que estouraram. É como uma panela de pressão. O fogo está ali, guardado numa sala, trancado, e aí alguém abriu a porta e isso se espalhou pela casa”, disse Kerr à Reuters. Ele afirmou que a violência e os saques, com lojas esvaziadas e pessoas sendo atacadas, poderiam acontecer em uma sociedade que excluiu gerações de jovens.
“Estou falando de instituições de abrigo onde eu cresci, de onde vim, onde as pessoas não têm esperança e foram esquecidas. Perdidas”, disse Kerr, fundador e líder da gangue PDC.
PDC são as iniciais de “Pil Dem Crew”, termo com raízes no “peel dem” jamaicano, algo como “roubem deles”. “Isso vem crescendo há anos, talvez há uns cinco anos – iria acontecer”, disse Kerr, também chamado de Jaja, que cresceu no conjunto habitacional de Angell Town em Brixton, sul de Londres.
Na quinta-feira, após quatro noites de caos em cidades inglesas do interior, Cameron declarou guerra às gangues de rua, que, segundo ele, estavam “no centro de toda a violência”, negando com veemência que as medidas de austeridade do governo ou a pobreza tenham contribuído para o tumulto.
Kerr disse que os comentários de Cameron estão totalmente fora da realidade. Agora aos 31 anos, Kerr afirmou que conheceu a cena das gangues quando tinha 9 anos e esteve envolvido com drogas, usou crack e foi preso várias vezes. Na última década, porém, ele abriu mão da violência e passou a liderar sua “turma” em uma organização legítima de entretenimento com foco na música e na criatividade.

Violência no Reino Unido

No início da noite de sábado, 6 de agosto, manifestantes iniciaram protestos em Nottingham, no norte de Londres, motivados pelo assassinato de um homem de 29 anos e pai de família, dois dias antes, pela polícia. Os protestos logo se desenvolveram em uma onda de violência que se arrastou noite adentro, quando grupos depredaram lojas e incendiaram carros, dando início ao pior episódio de violência urbana da história recente londrina.
Os tumultos diminuíram na manhã de domingo, mas ganharam nova força nos dias seguintes, irradiando para diversos bairros londrinos e até mesmo para outras cidades, como Manchester, Liverpool e Birmingham. A intensidade da violência levou centenas de policiais às ruas para conter os levantes. O premiê britânico, David Cameron, e o prefeito de Londres, Boris Johson, condenaram os tumultos, pelos quais mais de mil pessoas foram presas. Na madrugada de quarta-feira, outras três pessoas perderam a vida atropeladas em Birmingham e, na sexta-feira, Richard Mannington Bowes, 68 anos, que estava em estado crítico depois de ser ferido na noite de segunda, não resistiu e morreu no hospital, elevando para cinco o número de vítimas desde o início da onda de violência.

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